terça-feira, 15 de abril de 2008

A Cultura da Internet

Manuel Castells discorre sobre a “Cultura da Internet” a partir de uma articulação entre quatro camadas: a Tecnomeritocracia – excelência científica e tecnológica, normalmente advinda do mundo acadêmico, que trouxe grandes inovações e possibilidades legitimadas no sentido elementar decisivo para o progresso da humanidade; a Cultura Hacker – informal e virtual, fortaleceu a Cultura Tecnomeritocrática e tornou-a, de certa forma, independente dos poderes existentes, criando e disseminando tecnologia como bem entendem e partindo do princípio de liberdade de acesso (cooperação e comunicação livre); as Comunidades Virtuais – interconexões por redes sociais de todos os tipos, potencializando os alcances e usos de computadores em uma “nova sociedade” (adotaram valores tecnológicos da Tecnomeritocracia e compartilharam o valor da liberdade da Cultura Hacker, embora suas utilizações sejam voltadas à vida social); e, por fim, a Cultura Empresarial – que descobriu um novo lugar abundante em inovações tecnológicas e povoado por indivíduos com novas competências, e assim, orientada pelo dinheiro que obtinham, partiu para a conquista desse novo mundo colocando a internet num lugar soberano no mercado.
Notamos, então, que existe certa sincronia entre estas camadas, à medida que uma fornece subsídios à existência da outra: “A Cultura da Internet é uma crença tecnocrática no progresso dos seres humanos através da tecnologia, levada ao extremo por comunidades de hackers que prosperam na criatividade tecnológica livre e aberta, incrustada em redes sociais que pretendem reinventar a sociedade, e materializada por empresários movidos a dinheiro nas engrenagens da nova economia” (CASTELLS, p.53). Essas relações oferecem novos leques de possibilidades e uma busca continuada por novas opções / tecnologias / produtos.
A comunicação na contemporaneidade, em todos os seus aspectos, traz o sincretismo e a interação como alguns de seus pontos fortes. Este novo paradigma está sempre propenso a inovações e formatos que venham a interessar e facilitar e vida dos usuários (no âmbito individual e coletivo). Vemos cada camada cultural como sendo um degrau constituinte de uma escada comunicacional sempre em desenvolvimento, e todas estas camadas interligadas agregam novos valores e dependem uma das outras para constituir a Cultura da Internet que, apesar de suas características fixas, tem uma cara nova todos os dias.

Blog e Blogosfera

Inicio o "Rede Plurisingular" compartilhando algumas leituras recentes. Uma espécie de metalinguagem sobre Blog. Interessante algumas caracteríscas que nos fazem entender melhor este formato e que muitas vezes passam despercebidas em nossos acessos.

Os Blogs, como páginas pessoais da web, trazem a possibilidade de qualquer pessoa publicar o que quiser na rede. Não importando muito o designer ou a programação, eles têm suas referências nos usuários e nos conteúdos, criando vínculos a partir de temas semelhantes ou relacionáveis de interesses diferenciados.
Por meio de links a sites externos e comentários recebidos cada blog se adapta em uma comunidade (espécie de vizinhança) composta por outros blogs e pela familiaridade adquirida em seu grupo. A blogosfera se mostra como um meio social de opiniões, uma forma pessoal de contato e pontos de vistas, controle e crítica dos meios tradicionais de comunicação, etc. É um grande fator de mobilização social cujo objetivo comum é o conhecimento compartilhado. Sem dúvida trouxe uma “democratização” da internet, fazendo com que todos os usuários interessados participem da produção de conteúdo. Os blogs constituem comunidades ativas e interativas, com hipertextualidade e multimidialidade – características muito comuns na comunicação contemporânea. Desta forma uma nova estrutura sociocomunicacional vem sendo formada de maneira reticular e inovadora.
Segundo Orihuela, escritor e pesquisador espanhol, os blogs revolucionaram a maneira de gerar conteúdos on-line, impulsionaram comunidades com base no conhecimento e contribuíram para o aumento da relevância dos “produtos” na rede. Representam uma das zonas mais dinâmicas da internet, se projetam (se já não o é) como um potencial novo meio de comunicação on-line através da flexibilização de seus formatos, linguagem clara e transparente, convergência com outros meios. Isso pode criar uma recém “profissionalização” na qual o mantenedor de um blog (blogueiro) passa a ter credenciais de trabalho e obter dinheiro com suas publicações, o que por sua vez, traz maior consistência e exigência de credibilidade ao formato.Logo temos alguns exemplos específicos das transformações paradigmáticas dos processos sociocomunicacionais da contemporaneidade embutidos na evolução da blogosfera: multimidialidade – blog com fotos, imagens, vídeos, textos, links, etc. Ação partilhada / cooperativa dos usuários – através das postagens e dos comentários (da emissão / recepção à interlocução). Recursos hipermidiáticos – hipertextualidade, interatividade, etc. Tecnomeritocracia – a tecnologia possibilita uma ampla possibilidade de criação de blog, mesmo sem grandes conhecimentos técnicos por parte do usuário. Atualização quase que instantânea. Criação de redes sociais ou comunidades sociais virtuais. Dentre outros.

sábado, 5 de abril de 2008

Objetivo:

Uma associação do universo particular dos indivíduos às repercursões de massa geradas na contemporaneidade.
Os pensamentos coletivos e particulares que regem as tendências da sociedade.
Notícias importantes e outras nem tanto. Pontos de vista e comentários sobre diferentes assuntos.
Busca por audiência através de informação e entretenimento.