Manuel Castells discorre sobre a “Cultura da Internet” a partir de uma articulação entre quatro camadas: a Tecnomeritocracia – excelência científica e tecnológica, normalmente advinda do mundo acadêmico, que trouxe grandes inovações e possibilidades legitimadas no sentido elementar decisivo para o progresso da humanidade; a Cultura Hacker – informal e virtual, fortaleceu a Cultura Tecnomeritocrática e tornou-a, de certa forma, independente dos poderes existentes, criando e disseminando tecnologia como bem entendem e partindo do princípio de liberdade de acesso (cooperação e comunicação livre); as Comunidades Virtuais – interconexões por redes sociais de todos os tipos, potencializando os alcances e usos de computadores em uma “nova sociedade” (adotaram valores tecnológicos da Tecnomeritocracia e compartilharam o valor da liberdade da Cultura Hacker, embora suas utilizações sejam voltadas à vida social); e, por fim, a Cultura Empresarial – que descobriu um novo lugar abundante em inovações tecnológicas e povoado por indivíduos com novas competências, e assim, orientada pelo dinheiro que obtinham, partiu para a conquista desse novo mundo colocando a internet num lugar soberano no mercado.Notamos, então, que existe certa sincronia entre estas camadas, à medida que uma fornece subsídios à existência da outra: “A Cultura da Internet é uma crença tecnocrática no progresso dos seres humanos através da tecnologia, levada ao extremo por comunidades de hackers que prosperam na criatividade tecnológica livre e aberta, incrustada em redes sociais que pretendem reinventar a sociedade, e materializada por empresários movidos a dinheiro nas engrenagens da nova economia” (CASTELLS, p.53). Essas relações oferecem novos leques de possibilidades e uma busca continuada por novas opções / tecnologias / produtos.
A comunicação na contemporaneidade, em todos os seus aspectos, traz o sincretismo e a interação como alguns de seus pontos fortes. Este novo paradigma está sempre propenso a inovações e formatos que venham a interessar e facilitar e vida dos usuários (no âmbito individual e coletivo). Vemos cada camada cultural como sendo um degrau constituinte de uma escada comunicacional sempre em desenvolvimento, e todas estas camadas interligadas agregam novos valores e dependem uma das outras para constituir a Cultura da Internet que, apesar de suas características fixas, tem uma cara nova todos os dias.

